Padre Fontes - Rui Pires

Padre Fontes


"Das ervas à bruxaria. Uma escola aberta a toda a mentira e a toda a verdade. Vendem-se quilos e quilos de chás para todos os males, pomadas milagrosas e mezinhas que tudo curam. Por cinco Euros e em cinco minutos promete-se acabar com o seu sofrimento. Acredite quem quiser... Vilar de Perdizes fica lá bem no cimo do nosso país, paredes meias com a Galiza, região do Barroso no sopé da Serra do Larouco e assim como Tourém, Meixedo, Gralhas e outras aldeias, do concelho de Montalegre também é Portugal. Graças aos Congressos de Medicina Popular, Vilar de Perdizes uma freguesia de 400 fogos e 500 habitantes, saiu do anonimato, tem honras televisivas, nas nossas televisões e nas espanholas e, é notícia em muito jornal e revista. Uma vez por ano, e já lá vão 16 edições, esta aldeia, durante três dias recebe milhares de visitantes, médicos, naturistas, osteropatas, bruxos e adivinhos, ilusionistas e especialistas em curas espirituais, especialistas em terapias de vidas passadas, endireitas, cartomantes, ervanários. Durante estes três dias, vendem-se quilos e quilos de chás para todo o mal, pomadas milagrosas, recebem-se massagens, e ouvem-se as palestras num misto de especialistas de medicinas alternativas, juntamente com especialistas de doenças da mente e do espírito."


O Padre António Fontes, nasceu em Cambezes do Rio, uma aldeia do Barroso, próxima do Rio Cávado, em 22 de Fevereiro de 1940, seu pai esteve emigrado na América, no longínquo ano de 1927, e teve doze filhos. Ingressou no Seminário em Vila Real, em 1950, saiu em 1962 e diz " o Seminário ocupou quase toda a minha juventude, não se conta em duas palavras, foi demasiado tempo. E esse fica, deixa marcas vincadas como as negras batinas dos padres que por ali se moviam. Alguns poucos quase santos, outros, talvez a maior parte, mais que diabos". Desde pequeno que sempre disse que queira ser padre, e aos 10 anos, escola primária feita, já estava no Seminário. " Enquanto andei no Seminário, meus pais, sabe Deus como, viram-se aflitos para suportar aquela despesa. Na agricultura ninguém tinha salário e todos os trimestres era necessário pagar. Quando não havia a quantia necessária, pedíamos dinheiro aos vizinhos ou vendíamos qualquer coisa".

Foi ordenado em 1963, e foi colocado em Tourém, aí esteve oito anos. Deixou a sua marca nesta terra, paredes meias com a Serra do Gerês e com a Espanha, mais com a Espanha que com Portugal. O seu meio de transporte, um cavalo, atendendo a que não havia estradas dignas desse nome, servia-lhe para ir de para as paróquias celebrar a missa. Em Tourém criou uma escola, iniciou cursos agrícolas, cursos de bordadura, requisitou leite, farinha, manteiga e óleo à Caritas, começou por dar as refeições confeccionadas na casa paroquial, onde vivia com uma irmã, já que se desse os alimentos, alguns vendiam-nos. O seu nome começou a ficar pelas aldeias, que percorria no seu cavalo, ia celebrar missa a Pitões das Júnias e Covelães.

Ao fim de dois anos o seu meio de transporte muar foi substituído por uma motorizada. Deixou Tourém em 1971 e foi para Vilar de Perdizes, já lá vão 32 anos. Para além desta paróquia têm a seu cargo Mexide e Soutelinho da Raia. Todos os dias celebra missa em Vilar de Perdizes às oito e meia da manhã. "Mudei de local, não mudei de gente. Tourém ficou sem padre propus, com mais 12 párocos, uma forma rotativa de, um em cada mês, ir à aldeia celebrar aos Domingos a Eucaristia, para manter viva a paróquia" e continua "estou ao serviço das pessoas nos locais onde permaneço e caminho."


"Nunca exigi nada em troca. Faço o que me pedem com generosidade e nunca me senti obrigado a nada. Faço parte da crença das gentes, por isso não marco a ferro a minha religião. Estou perto das pessoas, faço parte delas e tento aproximá-las da minha fé e mensagem que quero transmitir. Os inícios da vida de um padre marcam. Talvez a minha fosse diferente se tivesse ido para Roma quando acabei o Seminário. Nessa altura queria continuara a estudar e pedi ao bispo que me desse essa oportunidade. Ele na sua simpatia, chegou à conclusão que alguém iria para a capital italiana. Mas não eu. Escolheu alguém mais inteligente, mais estudioso e, como havia só lugar para um, fiquei em Barroso\". De 1975 a 1980 frequentou a Faculdade de Letras da Universidade do Porto , inscrevendo-se em História. Terminado o curso um Professor convida-o para ficar a dar aulas de Etnografia no Porto, mas sempre rápido e decidido dá logo a resposta \" o Porto sem mim cresce e a a minha terra, sem mim, míngua".

Padre Lourenço fontes



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